quinta-feira, 28 de julho de 2016

Devemos restaurar a igreja?

O que ele diz sobre o evangelho nos vídeos que enviou está correto. Ele era pastor de uma denominação e aparentemente tem seu próprio trabalho que, queira ou não, é também uma denominação apenas com um nome e uma estrutura diferente. Mas dá para entender que ele é o líder. O fato de ter empunhado a bandeira do “contra as denominações tradicionais” ou fale de regeneração ou restauração da igreja não muda muita coisa.

Tem bastante gente empunhando essa bandeira e saindo das denominações para se reunirem em grupos familiares ou mesmo criarem uma denominação sem denominação. Mas não é essa a vontade de Deus: sair para criar mais grupos independentes. Quando percebemos a confusão existente na cristandade devemos sair a Cristo, e não a nós mesmos, a um líder ou a alguma nova forma de reunir.

Heb 13:13 "Portanto, saiamos até ele [CRISTO], fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou".

A pergunta que devemos fazer não é tanto "como devo me reunir", mas "onde devo me reunir", e a resposta é onde Cristo está no meio (e esse no meio significa o centro da reunião, o imã, o elemento aglutinador).

Quando escrevo sobre "a forma" das reuniões muitos chegam até a se interessar, mas quando falo do fundamento sobre o qual o cristão deve se reunir, isso já elimina alguns candidatos. Um irmão entrou em contato para dizer que concordava com "a forma" de reunir que eu explicava e era isso que ele procurava fazer com as pessoas com as quais se reunia. Entrei no blog dele e lá estava uma foto dele com colarinho eclesiástico e o título "Reverendo" antes do nome. Obviamente ele não entendeu que estar congregado ao nome do Senhor somente é tirar de cena o homem, o clero, e até o "Reverendo".

Voltando aos vídeos que você enviou, embora às vezes seja necessário apontar os descalabros que vemos ao redor como o autor dos vídeos faz, a bandeira do cristão não é denunciar os erros da cristandade, mas promover o conhecimento da Pessoa de Cristo.

O que chama a atenção no segundo vídeo é que o discurso fica muito centrado nele. Tem muito "eu", "eu", "eu"; você não achou que ele fala muito de si mesmo, como se dissesse "eu vou fazer assim, quem quiser que venha comigo"? Tenho aprendido que algo difícil é um clérigo perder a pose de clérigo. Ele foi criado assim e as pessoas o tratam assim. Uma vez clérigo, custa para tirar aquele colarinho duro, seja ele católico ou protestante. Obviamente para Deus nada é impossível.

Não existe na Palavra de Deus nenhuma indicação de que devamos restaurar a Igreja, porque ela é perfeita aos olhos de Deus. Quanto ao testemunho deixado aos homens, esse irá de mal a pior até depois do arrebatamento, quando ficarão na terra apenas os cristãos da boca para fora que seguirão o anticristo. Essa cristandade que fica para a tribulação é a prostituta de Apocalipse, a mulher que aparece montada sobre a besta (e depois é derrubada por ela).

Ainda sobre o que ele diz no vídeo, existe uma diferença entre a Igreja, que é o corpo de Cristo, e a cristandade, que é o testemunho que os homens dão desse corpo. A igreja, o corpo de Cristo, é e sempre será perfeita e sem mácula, porque Deus a fez assim. O testemunho dos homens é que está arruinado e não tem conserto. Não somos exortados a consertar coisa alguma, mas a guardar "a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há um só corpo e um só Espírito" Ef 4:3, 4. Essa unidade é indestrutível e é obra de Deus, não de homens.

Muitos hoje pregam a regeneração ou restauração da igreja (falando da cristandade ou do testemunho), mas essa regeneração não ocorrerá. Como aconteceu em todas as eras e dispensações (maneiras de Deus tratar os homens), tudo começa bem e acaba mal, porque os homens sempre destroem o que é de Deus.

Vivemos hoje o momento Laodicéia (entenda as 7 igrejas de Apocalipse também como 7 épocas da igreja no mundo), quando o valor é dado ao que é exterior (rica e abastada), mas Cristo está do lado de fora, batendo e buscando a comunhão individual. Não haverá restauração.

São poucos os que saem dos sistemas para voltar ao centro, que é Jesus. Isso sem alarde ou sem sentimentos revolucionários de quem está tentando consertar a cristandade. É importante fazer uma distinção clara disso para não cair no erro de criar mais uma denominação sem nome, que se propõe tão somente a reparar alguns erros do modus operandi das denominações, quando o grande erro está no fundamento que adotam.

Uma boa coisa a fazer quando escutar irmãos pregando contra denominações ou convidando as pessoas a saírem do sistema é perguntar: Acaso ele é um líder procurando por seguidores? A pergunta é muito importante, pois antes mesmo de existirem denominações o apóstolo Paulo alertou os anciãos de Éfeso dos perigos que viriam após sua partida: homens procurando atrair discípulos após si.

Ats 20:29, 30 "Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis [vindos de fora, incrédulos], que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos [crentes], se levantarão homens que falarão coisas perversas [ou pervertidas, distorcidas], para atraírem os discípulos após si".

Portanto, quando escutar alguém falando mal do atual estado da cristandade, das denominações, da maneira como os cristãos se afastaram da verdade etc e tal, veja se não é alguém querendo começar algo novo em torno de sua própria pessoa, ou seja, um ex-líder ou neo-líder em busca de seguidores. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A Terceira e Quarta Objeção de Faraó

(Comentário Êxodo 10)

A terceira objeção de Faraó requer atenção especial de nossa parte. "Então, Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó, e ele disse-lhes: Ide, servi ao SENHOR, vosso Deus. Quais são os que hão-de ir? E Moisés disse: Havemos de ir com os nossos meninos e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, e com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa ao SENHOR temos. Então ele lhes disse: Seja o SENHOR assim convosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos; olhai que há mal diante da vossa face. Não será assim; andai agora vós, varões, e servi ao SENHOR; pois isso é o que pedistes. E os lançaram da face de Faraó" (capítulo 10:8 a 11).

De novo vemos como o inimigo procura dar um golpe de morte no testemunho dado ao Deus de Israel. Os pais no deserto e os filhos no Egito! Que terrível anomalia! Isto teria sido apenas libertação parcial, ao mesmo tempo inútil para Israel e desonrosa para o Deus de Israel. Isto não era possível. Se os filhos fossem deixados no Egito, não se podia dizer que os pais os tivessem deixado. Tudo quanto podia dizer-se, em tal caso, era que em parte eles serviam ao Senhor e em parte a Faraó. Porém, o Senhor não podia ter parte com Faraó. Era necessário que possuísse tudo ou nada. Eis aqui um princípio importante para os pais cristãos. Possamos nós tê-lo no íntimo dos nossos corações! É nosso privilégio contar com Deus quanto aos nossos filhos, e criá-los "na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4). Nenhuma outra parte deve satisfazer-nos quanto aos nossos "pequeninos" senão aquela mesma que nós próprios desfrutamos. 

A quarta e última objeção de Faraó relacionava-se com os rebanhos e as manadas. "Então, Faraó chamou a Moisés e disse: Ide, servi ao SENHOR: somente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas; vão também convosco as vossas crianças" (capítulo 10:24). Com que perseverança disputou Satanás cada palmo do caminho de Israel para fora do Egito! Em primeiro lugar procurou mantê-los no país; então diligenciou tê-los perto do país; depois esforçou-se por reter parte do povo; e por fim, depois de haver falhado nestas três tentativas, esforçou-se por fazê-los partir sem meios alguns para servir ao Senhor. Já que não podia reter os servidores procurava ficar com os meios que eles tinham para servir, pensando obter o mesmo resultado por um meio diferente. Já que não podia induzi-los a oferecerem sacrifícios no país, queria enviá-los fora do país sem vítimas para os sacrifícios.

C. H. Mackintosh

terça-feira, 5 de julho de 2016

O Tribunal de Cristo

O Senhor guiará os Seus santos à casa do Pai nas alturas. Jo 14.2,3; Hb 2.13.

Após haver levado o Seu povo para a casa do Pai nas alturas, o Senhor os assentará à Sua mesa e os servirá de alegria celestial. Lc 12.37.

O tribunal de Cristo será estabelecido no céu, onde o Senhor se assentará como juiz.*  Existem três razões principais para haver um julgamento. Primeiro, para magnificar a graça de Deus em atender às nossas necessidades como pecadores. Isso mostrará quão grande foi na realidade a nossa dívida em razão do pecado, quando os pecados e falhas de nossa vida forem manifestados. Iremos aprender quão imensa é Sua graça em passar por cima de tudo isso. A segunda razão é para que, em todas as coisas, seja revelada a perfeita sabedoria de Deus. Ele Se identificou com Seu povo. Naquela ocasião Ele responderá a todas as perguntas difíceis que tivemos acerca de nossa vida. Ele mostrará a razão porque as incômodas dificuldades foram necessárias para nossa formação. A terceira razão é para que sejam determinadas quais as recompensas (galardões) dos santos e o lugar que ocuparão no Reino. O resultado disso estimulará o eterno louvor dos santos de Deus. O caráter da sessão não será judicial. Não serão os pecados do crente que estarão em questão. Isto já foi resolvido de uma vez para sempre pela obra completa de Cristo na cruz. O conhecimento disto dá ao crente grande ousadia, uma vez que lhe assegura que não será surpreendido pelo dia do juízo (1 Jo 4.17). O crente pode descansar em perfeita confiança na Palavra de Deus, que é fiel e lhe diz que "não entrará em condenação" (Jo 5.24; Rm 8.1). Mas as ações do crente (2 Co 5.10), sua obra servil executada para o Senhor (1 Co 3.9-15), seus motivos (1 Co 4.4-5; Rm 2.15,16), suas palavras (Mt 12.36,37), e seu exercício pessoal (Rm 14.1-12), será tudo repassado diante do santo olho do Senhor Jesus Cristo. Tudo na vida do crente será manifestado naquele dia, tanto o que praticou antes, como depois de sua conversão**. Isso revelará o que foi o ilimitado amor e a paciente graça do Senhor durante a vida do crente. Os crentes bendirão a mão que os guiou e o coração que planejou tudo enquanto aprendiam que "Seu caminho é perfeito." Sl 18.30.

{*Nota: Existem dois tipos de juiz. Cristo executará juízo no caráter de ambos. Um tipo de juiz é aquele que está no caráter de alguém investido de autoridade para decretar a sentença em juízo sobre um réu culpado, por exemplo, um juiz que atua nas cortes judiciais de um país. O cristão nunca se encontrará perante Cristo neste caráter de Juiz (Jo 5.24; Rm 8.1). O outro tipo é o juiz que atua como um árbitro, tendo conhecimento suficiente para decidir o mérito de um determinado assunto, por exemplo, um juiz de algum concurso ou exposição de arte. Este tipo de juiz avalia a qualidade e beleza de uma determinada obra em exposição. É neste segundo caráter que Cristo é visto como Juiz para com os crentes.}

{**Nota: Alguns poderão discordar disto, mas as Escrituras (2 Co 5.10) declaram claramente que trata-se das ações efetuadas por meio do corpo, e não das ações praticadas após a conversão. Todos nós estávamos no corpo antes de sermos convertidos. Será necessário ter tudo manifestado na vida do crente, para mostrar que a inigualável graça do Senhor é tão grande que a tudo sobrepuja. Onde abundou o pecado a graça abundou ainda muito mais (Rm 5.20). Deve ser também lembrado que os santos estarão glorificados nessa ocasião e não serão manchados pelo conhecimento de tais coisas reveladas. Naquele dia aprenderemos de uma vez para sempre quão má é a carne, e isso tão somente magnificará a graça que nos buscou e nos encontrou. Ninguém estará apontando seu dedo a outrem. Todos terão sido levados para lá com base numa só coisa: graça, e tão somente graça. E então, ao descobrirmos, em meio a tudo isso, que Ele encontrará um motivo para nos galardoar, seremos vencidos por uma compreensão do Seu amor e graça de uma forma muito mais profunda do que jamais poderia ser alcançada se não fosse tudo revelado a nós. Isso irá gerar as mais altas e vibrantes notas de louvor "Àquele que nos ama e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados" (Ap 1.5). }

Quando eu estiver diante do trono presente,
Coberto de adornos que não conquistei;
Então ao Senhor conhecerei plenamente,
Então saberei o quanto tenho e não sei.
Todos receberão uma recompensa. Cada um receberá o louvor vindo de Deus (1 Co 4.5; Mt 25.21-23). Talvez existam sete coroas que serão dadas como recompensa. A coroa incorruptível (1 Co 9.25), a coroa de gozo (1 Ts 2.19), a coroa de justiça (2 Tm 4.8), a coroa da vida (Tg 1.12; Ap 2.10), a coroa da glória (1 Pd 5.4), a coroa de ouro (Ap 4.4) e a coroa dada aos que vencerem (Ap 3.11).

Todos os santos celestiais (representados nos 24 anciãos) tomarão os seus lugares em tronos ao redor do Senhor no céu e, enquanto olham para o Senhor em toda a Sua glória como Criador e Redentor, lançarão suas coroas e a si próprios aos Seus pés em adoração e louvor. Ap 4-5.

B. Anstey

domingo, 3 de julho de 2016

Êxodo 10

A cruz foi, primeiro, Redenção... então a morte da carne.
O Mar Vermelho... a morte de Cristo por nós; o Jordão... nossa morte com Cristo.

ÊXODO 10

Êx 10:1-11 A metade do versículo 3 é o que muitos crentes hoje não estão querendo fazer! Mas é a única "estrada" para a bênção de Deus na vida - veja Tg 4:9-10. Os servos de Faraó argumentam com ele que o Egito estava sofrendo. Eles não se importavam com Deus. Faraó estava querendo deixar os homens de Israel saírem de um modo que tivessem que voltar para seus lares e suas famílias. Faraó não queria a separação total do povo de Deus. Satanás é assim hoje.

Êx 10:12-15 O oitavo castigo. Não resta comida.

Êx 10:16-20 Faraó agora está com pressa, e sua confissão vai além da anterior. Mas ele está interessado somente em se livrar dos problemas (veja a palavra "somente" duas vezes no versículo 17).

Êx 10:21-29 O nono castigo. Há novamente uma grande diferença entre os Egípcios e os Israelitas. Será que existe diferença entre nosso lar e um lar mundano? Moisés não faria concessões de espécie alguma (maravilhoso exemplo para nós), e Faraó sela seu próprio destino ao recusar se submeter a Deus. 

N. Berry. Fonte: http://www.stories.org.br/ex_p.html

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O Apostolado de Paulo

A lei e os profetas foram até João; após João o próprio Senhor, em Sua própria Pessoa, oferece o reino a Israel, mas "os Seus não O receberam". Eles crucificaram o Príncipe da vida, mas Deus O ressuscitou dentre os mortos, fazendo-O sentar à Sua direita nos lugares celestiais. Temos então os doze apóstolos. Eles são dotados com o Espírito Santo, e levam o testemunho da ressurreição de Cristo. Mas o testemunho dos doze é desprezado, o Espírito Santo é resistido, Estêvão é martirizado, a oferta final de misericórdia é rejeitada, e agora o tratamento de Deus com Israel como um povo é encerrado por um tempo. As cenas de Siló são encenadas novamente, Icabode é escrito em Jerusalém, e uma nova testemunha é convocada, como nos dias de Samuel. (Leia 1 Samuel 4)

Chegamos agora ao grande apóstolo dos gentios. Ele é como um nascido fora do tempo e fora de seu devido lugar. Seu apostolado não tinha nada a ver com Jerusalém ou com os doze. Era fora de ambos. Seu chamado era extraordinário e vindo direto do Senhor no Céu. Ele tem o privilégio de trazer a novidade: o caráter celestial da igreja - que Cristo e a igreja são um, e que o Céu é seu lar em comum (Efésios 1,2). Enquanto Deus estava tratando com Israel, essas benditas verdades estavam guardadas em segredo em Sua própria mente. "A mim,", diz Paulo, "o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo." (Efésios 3:8-9)

Não podia haver dúvidas sobre o caráter do chamado do apóstolo quanto à sua autoridade divina. "Não da parte dos homens, nem por homem algum", como diz ele em sua Epístola aos Gálatas, "mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos" (Gálatas 1:1). Isto é,  não era "da parte dos homens", quanto à sua fonte, nem de qualquer Sínodo* de homens oficiais. "Nem por homem algum", foi como veio sua comissão. Ele não era apenas um santo, mas um apóstolo por chamado: e esse chamado era por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos. Em alguns aspectos, seu apostolado foi ainda de mais alta ordem do que o dos doze. Estes tinham sido chamados por Jesus quando na Terra; aquele tinha sido chamado pelo Cristo ressuscitado e glorificado no Céu. E, sendo seu chamado vindo do Céu, não necessitava nem da sanção nem do reconhecimento dos outros apóstolos. "Mas, quando aprouve a Deus ... revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco." (Gálatas 1:15-17)

A forma como Saulo foi chamado para apóstolo é digna de nota especial, pois bate de frente com a raiz do orgulho judaico, e pode também ser vista como o golpe mortal à vã noção de sucessão apostólica. Os apóstolos, a quem o Senhor tinha escolhido e nomeado quando estava na Terra, não eram nem a fonte nem o canal, de maneira alguma, da nomeação de Paulo. Eles não lançaram sortes para ele, como fizeram no caso de Matias (Atos 1). Ali eles estavam apenas em terreno judeu, o que pode explicar sua decisão por sorteio. Era um antigo costume, em Israel, descobrir a vontade divina por esses modos. Mas estas enfáticas palavras: "Paulo, apóstolo, não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo", excluem completamente a intervenção do homem sob qualquer forma. A sucessão apostólica é descartada. Somos santos por chamado e servos por chamado. E tal chamado deve vir do Céu. Paulo está diante de nós como um verdadeiro padrão para todos os pregadores do evangelho, e para todos os ministros da Palavra. Nada pode ser mais simples que o terreno que ele toma como pregador, sendo o grande apóstolo que era. "E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos." (2 Coríntios 4:13)

Imediatamente após ser batizado e fortalecido, ele começou a confessar sua fé no Senhor Jesus e a pregar nas sinagogas de que Ele era o Filho de Deus. Isto é algo novo. Pedro pregava que Ele tinha sido exaltado à destra de Deus - que Ele tinha sido feito tanto Senhor quanto Cristo, mas Paulo prega uma doutrina mais elevada sobre Sua glória pessoal - "que Ele é o Filho de Deus". Em Mateus 16, Cristo é revelado pelo Pai aos discípulos como "o Filho do Deus vivo". Mas agora Ele é revelado, não apenas a Paulo, mas em Paulo. "Aprouve a Deus ... revelar seu Filho em mim" (Gálatas 1:15-16), disse ele. Mas quem é suficiente para falar dos privilégios e bênçãos daqueles a quem o Filho de Deus é, pois, revelado? A dignidade e segurança da igreja descansa sobre essa bendita verdade, e também sobre o evangelho da glória, que foi especialmente confiado a Paulo, e que ele chama de "meu evangelho".

"Sobre o Filho assim revelado", disse alguém docemente, "paira tudo o que é peculiar ao chamado e glória da igreja - suas santas prerrogativas - aceitação no Amado com perdão dos pecados por meio de Seu sangue - entrada para os tesouros da sabedoria e do conhecimento, de modo a tornar conhecido, a nós, o mistério da vontade de Deus - herança futura nEle e com Ele, no qual todas as coisas nos céus e na Terra serão congregadas - e o presente selo e penhor dessa herança, o Espírito Santo. Tal brilhante sequência de privilégios é escrita pelo apóstolo desta maneira: "bênçãos espirituais nos lugares celestiais"; e assim são elas; bênçãos através do Espírito fluindo e nos ligando a Ele, que é o Senhor nos céus." * (Efésios 1:3-14)

{* Veja mais detalhes sobre esse assunto em John Gifford Bellet, Christian Witness [Testemunho cristão], v. 4, p. 221; William Kelly, Introductory Lectures on Galatians [Estudos introdutó­rios sobre Gálatas], cap. 1}

Mas a doutrina da igreja - o mistério do amor, da graça e do privilégio - não tinha sido revelada até Paulo a ter declarado. O Senhor tinha falado dela quanto ao efeito que teria a presença do Consolador, dizendo: "Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós." (João 14:20). E novamente, quando Ele diz aos discípulos após a ressurreição: "Eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (João 20:17). Dessa "sequência brilhante" de bênçãos Paulo foi, especial e caracteristicamente, o apóstolo.

A. Miller. Fonte: http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/2014/09/o-apostolado-de-paulo.html

quinta-feira, 23 de junho de 2016

A Conversão de Saulo de Tarso

Nenhum evento no progresso da história da igreja a afeta tão profundamente, ou tão felizmente, quanto a conversão de Saulo de Tarso. De principal dos pecadores ele se tornou o principal dos santos - do mais violento opositor de Cristo ele se tornou o mais zeloso defensor da fé - como inimigo e perseguidor do nome de Jesus na Terra, ele era o "principal"; todos os outros, em comparação a ele, eram subordinados (Atos 9; 1 Timóteo 1).

É bastante evidente, a partir do que ele fala sobre si mesmo, que ele acreditava que o judaísmo era não só divino, mas a perpétua e imutável religião de Deus para o homem. Seria difícil explicar a força de seus preconceitos judaicos sobre qualquer outro princípio. Portanto, todas as tentativas de pôr de lado a religião dos judeus, e de introduzir outra, ele considerava como sendo algo do inimigo, devendo ser arduamente combatidas. Ele tinha ouvido o nobre discurso de Estêvão - ele tinha testemunhado sua morte triunfante - mas sua subsequente perseguição aos cristãos mostrou que a glória moral daquela cena não o havia impressionado de maneira séria em sua mente. Ele foi cegado pelo zelo; mas o zelo pelo judaísmo agora era um zelo contra o Senhor. Neste exato momento ele estava "respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor" (Atos 9:1).

Ouvindo que alguns dos santos perseguidos haviam encontrado um abrigo em Damasco, uma antiga cidade da Síria, ele se convenceu a ir até lá e trazê-los de volta a Jerusalém como criminosos. Para este fim, ele recebeu cartas do sumo sacerdote e do conselho de anciãos, de que ele poderia trazê-los presos a Jerusalém para serem punidos (Atos 22, 26). Ele, então, se torna o próprio apóstolo da malícia judaica contra os discípulos de Jesus - ignorantemente, sem dúvida, mas ele se fez o missionário voluntário deles.

Com sua mente forjada até o tom mais violento do zelo perseguidor, ele segue em sua memorável jornada. Inabalável em seu apego fervoroso pela religião de Moisés, e determinado a punir os convertidos ao cristianismo como apóstatas da fé de seus ancestrais, ele se aproxima de Damasco. Mas lá, na plena energia de sua louca carreira, o Senhor Jesus o detém. Uma luz dos céus, mais forte que a luz do sol, brilha em torno dele, e o subjuga com seu brilho ofuscante. Ele cai por terra - com a vontade quebrada, a mente subjugada, o espírito humilhado, e completamente mudado. Seu coração é agora sujeito à voz que fala com ele. Raciocínio, extenuação e auto-justificação não têm lugar na presença do Senhor.

Uma voz da magnífica glória disse-lhe: "Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues." (Atos 9:4-5). Então o Senhor Jesus, mesmo estando no Céu, declara que Ele próprio é ainda identificado com Seus discípulos na Terra. A unidade da igreja com Cristo, sua Cabeça nos céus, a semente da bendita verdade do "um só corpo", é resumida nessas poucas palavras: "Saulo, Saulo, por que me persegues? ... Eu sou Jesus, a quem tu persegues." Estar em guerra contra os santos é o mesmo que estar em guerra contra o próprio Senhor. Que bendita verdade para o crente, mas quão solene para o perseguidor!

A visão que Saulo tinha visto e a terrível descoberta que ele tinha feito o absorveram completamente. Ele fica cego por três dias, e não pode comer nem beber. Então ele entra em Damasco, cego, quebrantado e humilhado pelo solene juízo do Senhor! Quão diferente daquilo que ele pretendia! Ele agora se une à companhia daqueles que ele tinha resolvido exterminar. No entanto, ele entra pela porta, e humildemente toma seu lugar entre os discípulos do Senhor. Ananias, um discípulo fiel, é enviado para confortá-lo. Ele recebe sua vista de volta, é cheio do Espírito Santo, é batizado, e então é alimentado e fortalecido.

Alguns pensam que o Senhor dá, na conversão de Paulo, não somente uma amostra de Sua longanimidade, como em todo o pecador que é salvo, mas também um sinal da futura restauração de Israel. Paulo nos conta, ele próprio, ter obtido misericórdia porque ele fez tudo aquilo em ignorante incredulidade - e tal será a mesma situação de Israel nos últimos dias quando receber misericórdia. Como nosso próprio Senhor orou por eles: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34). Pedro também diz: "E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos príncipes" (Atos 3:17)

Mas, como o apostolado de Paulo difere, em muitos aspectos, do apostolado dos doze, será necessário observá-lo mais um pouco. A menos que essa diferença seja compreendida, o verdadeiro caráter da presente dispensação poderá não ser apreendida de maneira tão consistente.

A. Miller. Fonte: http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/2014/08/a-conversao-de-saulo-de-tarso.html

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Você Duvida da Bíblia?

Você se diz cristão, mas duvida da Bíblia, ou de partes dela?

O que o Senhor disse sobre as Escrituras (Antigo Testamento)?

 

"E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. [...] E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. [...] E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras." (Lucas 24:15,27,44-45)

Logo, se você crê em Jesus como Senhor e Salvador, então deve reconhecer o Antigo Testamento ("lei de Moisés, profetas e Salmos"), que apenas testifica dEle próprio.


Mas e as epístolas de Paulo? Não tem coisas que são só opiniões dele, ou costumes da época?

 

Vamos ver o que o apóstolo Pedro tem a dizer sobre os escritos inspirados do apóstolo Paulo:

"E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. " (2 Pedro 3:15-16)

Pedro (um judeu que, não fosse a revelação do Espírito Santo, reconheceria somente o Antigo Testamento como Escrituras) chama os escritos de Paulo de Escrituras, colocando-os no mesmo patamar do Antigo Testamento. Ele também chama de "indoutos e inconstantes" aqueles que torcem os escritos de Paulo, o que os leva à sua própria perdição. Portanto, leia a Palavra com o discernimento do Espírito Santo em vez de julgá-la com base na sua própria opinião ou na opinião de certos teólogos que tem por aí. Você não quer ser chamado por Deus de "indouto e inconstante", não é mesmo?

Vamos pegar como exemplo a primeira epístola aos coríntios, que é uma das cartas de Paulo mais rejeitadas pela cristandade em geral. Logo em seu início, o apóstolo deixa claro que as doutrinas (ensino) contidos na epístola não são destinadas somente aos crentes de Corinto:

"Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso." (1 Coríntios 1:1-2)

Parece que o Espírito Santo previu que os ensinos desta epístola seriam amplamente rejeitados. Repare que que o apóstolo enfatiza "todos os que em todo o lugar", o que descarta a ideia de que esta epístola foi escrita especificamente para os coríntios e no contexto da época. A rejeição por parte da religião não é sem razão. Logo no primeiro capítulo são condenadas as seitas (divisões) e denominações ("está Cristo dividido?") (vv. 10-13). Mais adiante, a sabedoria humana é chamada de aniquilada e fraca (vv. 18-31), em contraste com as soberbas faculdades de teologia e seus títulos honrosos, como "doutor em divindade". No capítulo 2, Paulo diz que "sua pregação não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana" (v. 4), diferente dos soberbos e "sábios" pregadores e "filósofos cristãos" que vemos hoje em dia. O capítulo 5 ensina que não devemos nos associar com aqueles que se dizem irmãos mas, de alguma maneira, estão dando um mal testemunho, pois "um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (v. 6). O capítulo 8 nos fala sobre escandalizar, algo muito comum dentro da cristandade (ou você acha que a gritaria e o alvoroço de certas "igrejas" não é um escândalo?).

O capítulo 10 nos fala que não podemos estar em comunhão à mesa do Senhor e ao mesmo tempo estarmos associados a práticas que estão em desacordo com a Palavra. O capítulo 11 nos fala da cobertura para cabeça, tanto em relação aos homens quanto às mulheres, ao orar e profetizar (falar sobre a Palavra de Deus), e também sobre a ceia do Senhor. Ele também enfatiza sobre contendas sobre o assunto: "Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus." (1 Coríntios 11:16). O capítulo 12 fala dos diferentes dons, que são dados por Deus à igreja, e não alcançados por algum cargo ou faculdade teológica. O capítulo 14 ensina a ordem de Deus para as reuniões da igreja, onde não encontramos nenhum tipo de clero ou preletor especial, mas sim "falem dois ou três profetas, e os outros julguem", enfatizando que "se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14:37).

Enfim, com tanta coisa que vai contra a religião humana, não é de admirar que esta epístola seja tão rejeitada pela cristandade atualmente.


Mas o que Jesus disse não é mais importante do que as epístolas?

 

Vamos deixar o próprio Senhor responder:

"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (João 14:26)

Você crê que as epístolas foram inspiradas pelo Espírito Santo?


A quem são dirigidas as epístolas afinal?

 

As cartas dos apóstolos são destinadas diretamente à igreja, o corpo de Cristo, composto por todos os que são salvos pela graça somente, pelo Seu sangue derramado na cruz (perceba que a maioria começa com "aos santos...", "aos irmãos..."). Tais escritos são chamados de doutrina (ensino) dos apóstolos, destinados especialmente ao ensino daqueles que são membros do corpo de Cristo.

"E [os crentes, no princípio] perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:42)

A doutrina dos apóstolos é também o fundamento sobre qual a igreja é edificada, tendo Cristo como pedra de esquina:

"Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina" (Efésios 2:19-20)
"Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu [Paulo], como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo." (1 Coríntios 3:10-11)

Logo, se você rejeita a doutrina dos apóstolos (o fundamento dos apóstolos), está rejeitando também a Cristo, pois Ele próprio é o fundamento.

Aos apóstolos (especialmente Paulo) foi revelada a dispensação da graça de Deus, ou da igreja, que era até então um mistério não revelado no Antigo Testamento. Com isso a Palavra de Deus foi completada, não havendo nada mais para ser revelado além do que temos na Bíblia hoje em dia:

"Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir [OU COMPLETAR, verifique outras traduções] a palavra de Deus; O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos [crentes]; " (Colossenses 1:24-26)

Portanto, esqueça a história de pessoas recebendo revelações de Deus exclusivas nos dias atuais, os supostos "profetas". O Espírito Santo não revela nada que vá além do que está na Bíblia, e muito menos do que vai contra ela.


Para finalizar, o que o Senhor Jesus disse de quem não confia em Sua Palavra?

 

"Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. " (João 14:23-24)

Será que você ama o Senhor Jesus? Se você O ama, então confia na Palavra, certo? Ou prefere confiar na sua própria opinião ou na opinião do "pastor" ali da esquina? A quem você realmente ama?

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